domingo, 19 de novembro de 2017

Um fantasminha no Jardim

Após o convite generoso por parte da Manuela Castro Neves, da Maria Bouza e da Máquina de Voar Editora que com muito prazer aceitei, aqui fica o meu humilde contributo, através do meu ponto de vista sobre o mesmo e o registo fotográfico da sessão.
Grata por estes momentos!


Num percurso de narrativa rítmica, Um fantasminha no Jardim, permite todo um conhecimento de um léxico pouco comum, mas de exploração pertinente. Provoca a curiosidade da descoberta das novas palavras, a par do ritmo que são ouvidas, bem como faz um apelo à memória da nossa infância, no elencar de jogos porventura, já esquecidos por muitos (jogo do anel, eixo, queimada, berlinde). Jogos que, felizmente talvez, depois da leitura deste livro, seja o mote para promover situações lúdicas junto das crianças que eventualmente desconheçam estes jogos.
A narrativa, de certo modo ambiental, com preocupações ecológicas (a estrela do mar, é no mar que deve ficar), evidencia também questões que são promotoras de inclusão, no sentido de compreender e aceitar os outros, abordando também a importância do enfrentar dos medos (por vezes infundados aos olhares alheios). 
Conjugando o foco em valores éticos, a narrativa decorre, quase previsível no seu desenlace, apresentando um cariz pedagógico, já bastante característico da autora.
A estória criada pela autora do texto, teve como ponto de partida a oferta de quatro fantoches, por parte de um grupo de crianças de uma escola (a quem é destinado, nas guardas, os agradecimentos deste livro).
Partindo desses personagens, a ilustração de Maria Bouza, numa composição de técnica mista (que envolve desenhos com lápis de cor e de cera, recortes e texturas de diferentes papeis em sobreposição digital), completa a narração com outros olhares, através da predominância de cores básicas, resultando numa  ilustração coerente e bastante delicada no seu efeito visual. 
(ECS)

Aqui fica o registo do lançamento do livro no espaço da Academia S. Miguel dos Arcos








terça-feira, 15 de agosto de 2017

Quando a temática é Sexualidade...


No âmbito de um dossier temático sobre Sexualidade solicitaram a minha colaboração para a revista Educação Inclusiva. A variedade de livros é imensa, a escolha por vezes é complexa. Assumo as minhas escolhas, considerando-as no meu ponto de vista,  eventualmente como sendo alguns dos livros mais significativos e relevantes na temática a abordar.



A Mamã pôs um ovo
Babette Cole
Terramar (1997)

“Mummy Laid an Egg” originalmente escrito e ilustrado pela autora em 1993 (publicado em Londres), este livro teve a sua apresentação em Portugal em 1997, tendo depois reedições sucessivas na mesma editora. Com esta já extinta, teve nova reedição em 2011 por uma nova editora.
Constitui-se como um clássico contemporâneo bastante conhecido, abordando de forma simples e humorada a explicação de como se fazem os bebés.
As ilustrações peculiares da autora, contêm bastantes pormenores numa paleta bastante diversificada de cores que ilustram de modo singular o sintetizado texto.
Poderia eventualmente pensar-se que é o modo dos pais explicarem aos filhos, mas é o inverso que provoca no leitor uma gargalhada certeira.

How A Baby Is Made, escrito e desenhado pelo escritor, professor e psicoterapeuta dinamarquês Per Holm Knudsen, é publicado em Londres 1975, numa edição de Franklin Watts.
Traduzido em várias línguas, nunca foi publicado em Portugal. Curiosamente é conhecido e partilhado entre nós na internet através da publicação alemã: “Wie Vater und Mutter ein Kind Bekommen”, realizada em março de 2008 pelo editor: Quelle & Meyer. 
Envolto em alguma polémica entre os que aplaudem e os que desaprovam as ilustrações explicitas e detalhadas, estas bastante realistas, oferecem visualmente todo processo de concepção, desde o ato sexual até o nascimento.





How Babies Are Made
Um livro escrito por Steven Schepp e Andrew Andry publicado originalmente pela Time-Life Books, New York (1968) e Ilustrado por Blake Hampton contando com novas reedições.
Este livro destaca-se pelas ilustrações de colagens nas páginas direitas do livro acompanhando o texto mais científico que se apresenta na página esquerda.
Com clareza e precisão, aborda os processos reprodutivos do reino vegetal e animal precedendo a sexualidade humana e os seu processo reprodutivo, acompanhado de uma ilustração inventiva e apelativa de entalhes e colagens.

 

How Did I Begin? 

de Mick Manning
ilustrado por Brita Granstron
Editado por Franklin Watts em 1997

Partindo de que somos o fruto do carinho especial entre a mãe e o pai, este livro conduz o leitor através de cada fase de desenvolvimento de uma criança, dentro do útero ao longo de nove meses. Com ilustrações simples e realistas  proporciona perguntas e oferece respostas. Livro que foi indicado para o prémio de livro de Junior Science Book Award, (atualmente Science Prize da Royal Society).


Para onde foi o Zezinho?...
Nicholas Allan (Texto e ilustração)
Gailivro (2004)

Originalmente escrito em inglês, acresce na tradução para português, como se pode ler na capa, um subtítulo: A grande história de um pequeno espermatozóide.
Com esta pequena frase e a ilustração inteligentemente divertida facilmente nos remete para a temática em questão. Partindo da identidade do personagem principal e da sua morada, que partilha com mais de 300 milhões de companheiros, no corpo do senhor Silva, toda a narrativa tem como foco o dia da Grande Competição de Natação, para a qual o personagem pratica todos os dias. Com informações simples, envoltas em ilustrações recheadas de humor e perspicazes para os olhares atentos, remete-nos para a questão da fecundação através de uma narrativa acessível e bem estruturada, não deixando de surpreender até ao final na sua circularidade e sentido apurado de inclusão sobre a identidade de cada um.

O Mistério do Urso
Wolf Erlbruch (Texto e ilustração)
A cobra laranja (2002)

O consagrado Wolf Erlbruch é exímio nas narrativas que escreve e ilustra. Sabiamente aborda as questões que nos envolvem na humanidade, na maioria dos casos usando metáforas. Este é um bom exemplo. Não explicitando diretamente a questão da sexualidade, remete-nos para o mistério da paternidade, o desejo dos afetos e de modo gradual aproxima-nos do foco da narrativa questionando e desconstruindo mitos. As ilustrações alternam entre as grandes dimensões de página dupla a pequenos pormenores que  recriam e reforçam o humor de ambientes e propostas para o percurso vivido pelo personagem. Originalmente publicado em 1992, merecidamente foi premiado com o "Prémio alemão da literatura juvenil" em 1993. Em 2002 é publicado em Portugal, pela editora já extinta A cobra laranja, não tendo sido reeditado.

A vida começa assim
Orientação de Manuela Lazzara Pittoni e Ana (Ilustrações)
Queluz: Editorial Globo (s/d)

Integrado numa coleção com o mesmo nome e editado por uma editora já extinta, este livro, surge por vezes, em alfarrabistas.
As páginas iniciais constituem-se como modo introdutório de abordar a reprodução da vida vegetal e animal, para de seguida versar o momento do nascimento humano e consequentemente a sexualidade. Uma viagem ilustrada, de composição realista muito pormenorizada, a par de um texto mais comedido e envolto em encantamento.


O livro do corpo
Claire Rayner (Texto)
Tony King (Ilustração)
Edições 70 (1986)

Originalmente publicado em inglês (1978) é inserido na edição portuguesa numa coleção intitulada “à descoberta da realidade”. 
Este livro faz uma abordagem simples sobre a complexidade e funcionamento do corpo humano. A autora, jornalista especializada em assuntos médicos, explica de modo objetivo e claro, sem  evitar as questões incómodas, pensado para leitura a par entre pais e filhos. Contem um capítulo intitulado “Crescimento, Mudança e Formação de novos seres” onde de forma bastante explícita, quer a nível do texto, como da ilustração, se aborda o ato sexual e o processo de gestação até ao momento do parto. 
Ilustrações planas, quase em forma de pequenas tiras informativas, a par do texto, acompanham descritivamente os assuntos abordados.

Adicionar legenda
Na barriga da minha mãe
Jo Witek (texto)
Christine Roussey(Ilustração)
Editorial Presença (2016)

Originalmente publicado em francês, em 2011, felizmente, recentemente publicado em Portugal, este livro centra o foco na personagem de uma criança que aguarda o nascimento da irmã, através do diálogo com esta na barriga da sua mãe.
Barriga que cresce em cada mudança de página, permitindo-nos com alguma seriedade e humor acompanhar o desenvolvimento intra uterino através de ilustrações escondidas sobre abas. As ilustrações de linhas simples e apontamentos de cor, reforçam um texto envolto em poesia e afetos num binómio que acresce o encanto da ansiosa espera e o espanto do primeiro encontro.


Apaixonados

Rébecca Dautremer (texto e ilustração)

Editora Educação Nacional (2007)

Ernesto, o personagem principal está apaixonado mas não sabe muito bem declarar o seu amor. As opiniões dos diversos personagens sobre a temática, são tão diversas quanto metafóricas, mas é precisamente na metáfora e no mistério que este livro de grande dimensão, (infelizmente, com algumas gralhas de tradução para a edição portuguesa), proporciona uma viagem aos segredos do amor. Apaixonados é uma galeria de arte que a ilustradora nos oferece através das soberbas ilustrações de dupla página.
                                                 
O que é o amor?
Davide Cali (Texto)
Anna Laure Cantone (ilustrações)
Gato na Lua (2011)

Na senda das questões à volta do amor não se pode descurar este álbum ilustrado com texto de Davide Cali e Anna Laura Cantone, ambos já bem conhecidos em Portugal. 
Tal como o título nos sugere, a questão é feita por quem busca uma resposta convincente.
A busca é feita por uma criança curiosa, a Emma, que percorre toda a narrativa, interrogando todos os elementos da família em busca das respostas para o amor e o estar apaixonado. Embora com a tradução para português, se perca alguma da poética e do ritmo do texto original, as diversas respostas concisas e humoradas, remetem-nos também para a metáfora, embora, na voz dos personagens se relacionem analogamente com as suas atividades preferidas e interesses, tornando-se ainda mais hilariante a compreensão que Emma faz das respostas, tentando objetivamente pô-las em prática.A ilustração apresenta pequenos detalhes de décor retro num ambiente doméstico com imensos pormenores, alguma proximidade ao cartoon onde existe um variada paleta de cores e elementos de diferentes texturas como colagens e tecidos que acasalam perfeitamente com o texto, fazendo deste livro uma obra filosófica sobre o tema, de modo hilariante e intensa, indispensável para que sejam os leitores a refletir sobre a pergunta original.

O Bebé
Fran Manushkin (texto)
Ronald Himler (ilustrações)
Sá da Costa Editora

Este é o primeiro livro ilustrado da escritora Fran Manushkin, publicado pela primeira vez em 1972 pela Harper & Row, tendo sido considerado, à época, pelo School Library Journal como o pior livro ilustrado do ano. Talvez por essa razão, em 2001, a edição em inglês de Baby, Come Out!  tenha sido colorida.
No entanto, várias reedições optaram pela edição original, com imagens a preto e branco, o que foi o caso da primeira edição em Portugal pela editora Sá da Costa. A segunda edição (2008) remete para a versão colorida.Um clássico da literatura para a infância que aborda o desenvolvimento pré natal de modo muito inventivo, onde a identidade e os afetos se misturam. Um olhar à identidade e personalidade única, com direto a vontade própria.  

A Joaninha quer ter um bebé
e  
Será que a Joaninha tem uma pilinha?” 
Da dupla  Thierry Lenain (texto) e Delphine Durand (ilustrações)
os dois livros editados pela Dinalivro (2004)
Abordam os temas de curiosidade das crianças, desconstruindo estereótipos de gêneros, de modo divertido e com alguma intenção didática. O mundo divide-se entre meninas e meninos e as descobertas que ambos os sexos fazem do amor e a amizade entre ambos.







Elvira Cristina Silva



in:  Recensões do Dossier Temático - Sexualidade e as pessoas com deficiência da Revista: Educação Inclusiva (revista da Pró-Inclusão - Associação Nacional de Docentes de Educação Especial   Vol. 7 - Nº 2 (dezembro 2016) (pág. XX - XXIV)